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Tratamentos fitofarmacêuticos: como escolher o produto adequado a cada cultura

A eficácia de um tratamento fitofarmacêutico não depende apenas do produto utilizado. Influenciam também o diagnóstico, o estado da praga ou da doença, o momento de aplicação, as condições ambientais, o equipamento e o acompanhamento posterior.

Tratamentos fitofarmacêuticos: como escolher o produto adequado a cada cultura

Por isso, a primeira decisão não deveria ser que produto comprar, mas o que está realmente a acontecer na cultura.

Uma mancha, uma perda de vigor ou uma queda de folhas pode ter origens diferentes. Aplicar um tratamento sem identificar a causa pode ser ineficaz, gerar custos desnecessários e atrasar a resolução do problema.

O tratamento começa com um diagnóstico

Antes de recomendar uma intervenção convém reunir informação sobre a parcela:

  • Cultura e variedade.
  • Idade e sistema de plantação.
  • Zona afetada.
  • Distribuição dos sintomas.
  • Momento em que apareceram.
  • Evolução nos últimos dias.
  • Condições meteorológicas recentes.
  • Rega, fertilização e tratamentos anteriores.
  • Presença de insetos, danos, excrementos, micélio ou lesões.

A distribuição dos sintomas dá pistas importantes. Um problema localizado numa zona encharcada pode ter uma origem diferente da de uma afeção estendida de forma uniforme por toda a parcela.

É também necessário distinguir entre:

  • Pragas.
  • Doenças.
  • Infestantes.
  • Carências nutricionais.
  • Fitotoxicidades.
  • Stress hídrico.
  • Danos por geada, calor, vento ou granizo.
  • Problemas de solo ou de raízes.

Sintomas parecidos podem exigir intervenções completamente diferentes.

Proteção integrada: intervir com uma estratégia

A proteção integrada combina observação, prevenção, acompanhamento e medidas de controlo. A aplicação de produtos fitofarmacêuticos faz parte dessa estratégia, mas não deve ser considerada de forma isolada.

As regras europeias sobre utilização sustentável de produtos fitofarmacêuticos estabelecem que a proteção integrada deve favorecer um uso sustentável desses produtos e promover, quando sejam apropriados, métodos e técnicas alternativos. Existem igualmente orientações técnicas por grupos de culturas para apoiar agricultores e técnicos.

Uma estratégia pode incluir:

  • Escolha de variedades adequadas.
  • Utilização de planta em boas condições.
  • Eliminação de focos afetados.
  • Maneio dos restos vegetais.
  • Controlo das infestantes.
  • Poda e ventilação da vegetação.
  • Gestão correta da rega.
  • Acompanhamento através de armadilhas ou amostragens.
  • Controlo biológico ou métodos físicos quando sejam viáveis.
  • Aplicações fitofarmacêuticas justificadas.

A combinação dependerá da cultura, da praga, da campanha e das condições concretas da exploração.

Confirmar que o produto está autorizado

Antes de utilizar um produto fitofarmacêutico deve confirmar-se a sua situação na lista oficial de produtos fitofarmacêuticos autorizados em Portugal.

Não basta que o produto esteja no mercado ou tenha sido utilizado anteriormente. É necessário confirmar:

  • Que continua autorizado.
  • Que contempla a cultura.
  • Que está autorizado para o problema que se pretende controlar.
  • Que a forma de aplicação é a permitida.
  • Que se respeitam as condições de utilização.
  • Que se cumprem a dose, o número máximo de aplicações e o intervalo de segurança.
  • Que não existe alguma limitação específica aplicável.

As autorizações podem ser alteradas. Por isso a consulta deve fazer-se com informação atualizada e não basear-se apenas nos programas de campanhas anteriores.

Convencional ou biológico não é a primeira pergunta

A escolha entre um produto convencional, biológico ou de outro tipo deve fazer-se depois de identificar corretamente o problema.

Um produto autorizado em agricultura biológica também tem:

  • Utilizações concretas.
  • Condições de aplicação.
  • Doses.
  • Compatibilidades.
  • Riscos.
  • Intervalos e limitações.

A classificação do produto não substitui a leitura do rótulo nem o aconselhamento técnico.

Em algumas situações pode existir mais do que uma alternativa. A decisão deverá considerar a eficácia esperada, o momento do ciclo, as condições ambientais, a presença de fauna auxiliar, o histórico da parcela e a estratégia seguida durante a campanha.

O momento de aplicação pode ser decisivo

Uma aplicação correta realizada demasiado cedo ou demasiado tarde pode dar um resultado insuficiente.

O momento depende de fatores como:

  • Estado de desenvolvimento da praga.
  • Nível de presença ou limiar de intervenção.
  • Fase fenológica da cultura.
  • Risco de novas infeções.
  • Temperatura.
  • Vento.
  • Humidade.
  • Previsão de chuva.
  • Possibilidade de acesso à parcela.
  • Intervalo disponível antes da colheita.

Em determinados problemas é mais eficaz atuar nas fases iniciais do que tentar controlar uma população ou infeção já estabelecida.

A qualidade da aplicação

O produto só pode atuar corretamente se alcançar o seu objetivo nas condições previstas.

Deve verificar-se:

  • Estado do equipamento.
  • Limpeza de filtros e bicos.
  • Calibração.
  • Pressão de trabalho.
  • Volume aplicado.
  • Velocidade de avanço.
  • Cobertura da vegetação.
  • Risco de arrastamento.
  • Homogeneidade da mistura.
  • Utilização dos equipamentos de proteção correspondentes.

Uma dose calculada corretamente pode ficar mal aplicada se o equipamento não distribuir a calda de forma uniforme.

Não misturar sem confirmar a compatibilidade

Misturar vários produtos não garante uma maior eficácia. Podem ocorrer incompatibilidades físicas, químicas ou biológicas.

Antes de preparar uma mistura deve confirmar-se:

  • A autorização de cada utilização.
  • A compatibilidade indicada pelos fabricantes.
  • A ordem de incorporação.
  • O pH e a qualidade da água.
  • A concentração final.
  • O risco de fitotoxicidade.
  • As condições particulares da cultura.

Não devem utilizar-se misturas improvisadas a partir de experiências não comprovadas noutras parcelas.

Tecnologia aérea para localizar onde verificar

A deteção remota pode ajudar a localizar zonas da parcela com um comportamento diferente. Um mapa de vigor permite orientar a inspeção para áreas concretas, mas não determina automaticamente a causa.

Uma zona com menor vigor pode estar relacionada com uma praga, uma doença, um problema nutricional, falta de água, encharcamento, solo ou falhas de plantação. A causa deve confirmar-se através de inspeção e de diagnóstico agronómico. A Agro Dron Iberia indica expressamente que a deteção remota orienta a verificação no campo, mas não a substitui.

Esta combinação permite trabalhar de forma mais ordenada:

  • Localizar diferenças a partir do ar.
  • Inspecionar as zonas selecionadas.
  • Identificar a causa.
  • Delimitar a superfície afetada.
  • Escolher a intervenção.
  • Verificar posteriormente a evolução.

Registar e revisitar os resultados

Depois do tratamento convém registar:

  • Parcela e cultura.
  • Data e hora.
  • Produto utilizado.
  • Dose e volume.
  • Superfície tratada.
  • Condições meteorológicas.
  • Equipamento utilizado.
  • Motivo da intervenção.
  • Resultado observado.

Estes dados ajudam a comprovar a eficácia, a evitar repetições desnecessárias e a melhorar as decisões das campanhas seguintes.

Diagnosticar antes de tratar

A Fito Portugal Lda. disponibiliza produtos fitofarmacêuticos convencionais e adequados à produção biológica, juntamente com aconselhamento para avaliar as necessidades de cada exploração.

Antes de realizar qualquer aplicação, é necessário confirmar o problema, consultar a autorização em vigor e escolher a solução que melhor se enquadre na estratégia geral da cultura.

Perguntas frequentes

Pode escolher-se um produto fitofarmacêutico apenas pelo nome da praga?

Não. Tem também de estar autorizado para a cultura, a utilização, a forma de aplicação e as condições concretas indicadas na sua documentação.

Uma imagem de drone pode diagnosticar uma doença?

Não por si só. Pode localizar áreas anómalas, mas o diagnóstico deve confirmar-se através de inspeção no campo e de critério técnico.

Um produto biológico pode utilizar-se sem restrições?

Não. Deve estar autorizado e aplicar-se de acordo com as suas utilizações, doses, condições e rótulo.

Aviso. Esta informação tem carácter geral e não substitui uma avaliação técnica da exploração. As autorizações de produto, os registos e a legislação aplicável podem mudar: consulte sempre a informação oficial em vigor e o rótulo do produto.

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